Nem barro, nem tijolo

  • 03/07/2026
Nem barro, nem tijolo
Nem barro, nem tijolo (Foto: Reprodução)

Há momentos da vida em que nos sentimos fora de lugar. Não estamos mais onde estávamos, mas também ainda não chegamos onde gostaríamos. É aquele tempo em que o coração parece viver entre dois mundos.

A expressão “nem barro, nem tijolo” traduz bem essa sensação: já não somos o que éramos, e ainda não enxergamos claramente o que estamos nos tornando. É uma fase de transição em que Deus desmonta estruturas antigas para, com cuidado e propósito, formar uma nova identidade em nós.

Há dores que parecem pesar mais do que outras, e essa é uma delas. A pessoa já estudou, já se lançou em um novo projeto, começou um ministério, mudou de carreira ou tomou decisões que mexeram profundamente com sua vida. Ela sabe que não é mais o “barro” inicial, aquele estado simples, maleável, cheio de possibilidades ainda sem forma.

Mas também não se sente “tijolo”. Falta a firmeza interior, o reconhecimento externo, a estabilidade que ela imaginou encontrar depois de tanto esforço. É como caminhar num terreno que ainda não está pronto, onde cada passo parece incerto.

Esse período de indefinição faz muitos se sentirem perdidos. Porém, mesmo quando tudo parece suspenso, Deus continua trabalhando. Muitas vezes, de maneira silenciosa, até que aquilo que hoje parece inacabado se torne parte da obra que Ele está construindo na vida de cada um.

E essa, sem dúvida, é a melhor parte.

Olha que interessante: a Bíblia mostra que Deus trabalha justamente nesses intervalos da vida. Quando Jesus disse: “Destruam este templo, e em três dias o reconstruirei” (João 2:19), ninguém entendeu o que Ele queria comunicar. O templo precisava passar pela destruição para que algo maior e mais glorioso fosse revelado.

A cruz também foi o momento do aparente colapso. Tudo parecia perdido, interrompido, sem sentido. Mas a ressurreição mostrou que Deus já estava preparando uma obra nova, muito além do que qualquer pessoa poderia imaginar.

Entre a sexta-feira da dor e o domingo da vitória houve silêncio, espera e transformação. Foi nesse intervalo, tão desconfortável e tão misterioso, que Deus realizou o milagre que mudaria a história. Que mudaria a minha vida e a sua!

Vivemos nesse espaço entre a demolição e a reconstrução. Entre o início e o fim. Se hoje você se sente “nem barro, nem tijolo”, talvez esteja exatamente no centro da oficina de Deus. Esse lugar pode parecer quente, apertado e até confuso, mas não é um sinal de fracasso. Não despreze o tempo do forno. É ali que o barro ganha força, firmeza e propósito.

A transição não significa que algo deu errado. Significa que Deus está trabalhando. Glória a Deus! Jesus conhece profundamente esses processos de morte e reconstrução, Ele mesmo passou por eles. Por isso, Ele caminha com você nesse intervalo, sem pressa e sem abandonar a obra que começou.

O Pai ama você!

 

Darci Lourenção (@pra_darci_lourencao) é psicóloga, pastora, coach, escritora e conferencista. Foi Deã e Professora de Aconselhamento Cristão. Autora dos livros “Na intimidade há cura”, “A equação do amor”, “Viva sem compulsão” e “Devocional Minha Família no Altar”.

* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: O meu Deus tem nome

FONTE: http://guiame.com.br/colunistas/darci-lourencao/nem-barro-nem-tijolo.html


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